
O Projeto Raízes Agroecológicas (GP-SAEP) iniciou uma nova etapa de implementação no Brasil com ações voltadas à formação de corredores agroecológicos e diagnósticos participativos da agrobiodiversidade para o fortalecimento de sistemas comunitários de sementes em territórios rurais da Bahia e de Sergipe.
A iniciativa integra ações na Argentina, Bolívia e Brasil para o fomento da agroecologia, conservação dos recursos genéticos locais e Melhoramento Genético Participativo descentralizado voltado à conservação e resgate de variedades locais.
O projeto pretende alcançar 5 mil famílias agricultoras nos três países, sendo cerca de 2.600 no Brasil, distribuídas em 15 municípios dos estados de Sergipe e Bahia, com potencial de ampliação para novos ao longo da implementação.
Dessa forma, o projeto também busca valorizar o trabalho ancestral de guardiãs e guardiões de sementes, articulando organizações da sociedade civil, instituições de pesquisa e comunidades rurais para promover a conservação da agrobiodiversidade, a autonomia produtiva e a construção coletiva de sistemas agroecológicos para dar respostas aos desafios das mudanças climáticas.
Financiado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), com recursos da União Europeia, em uma doação de 4 milhões de euros, o projeto é executado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), com liderança técnica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Em Sergipe, o projeto é implementado pelo Movimento Camponês Popular (MCP-SE) através da Associação de Camponesas e Camponeses do Estado de Sergipe (ACCESE). Na Bahia, a implementação ocorre por meio do consórcio formado por Associação Regional de Convivência Apropriada ao Semiárido (ARCAS), Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP), e Movimento dos Pequenos Agricultores/Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa da Bahia (MPA/CPC).
Uma das principais estratégias do Raízes Agroecológicas (GP-SAEP) é a implantação de corredores agroecológicos como espaços de aprendizagem, experimentação e multiplicação de sementes crioulas para o Melhoramento Genético Participativo descentralizado, metodologia desenvolvida pela Embrapa, que busca fortalecer variedades adaptadas às condições locais, ampliando a diversidade, a resiliência e a autonomia das comunidades rurais.
Estão previstos, inicialmente, 26 corredores agroecológicos na Bahia e 18 em Sergipe. Os corredores organizam cultivos em faixas intercaladas, combinando espécies alimentares, como milho e feijão, com plantas de adubação verde, a exemplo de crotalária juncea, feijão-de-porco e feijão guandu, que promovem a fertilidade do solo e o manejo integral de pragas para a conservação ambiental. No marco do enfoque agroecológico, se utilizam também bioinsumos produzidos pelos agricultores.
O processo é articulado aos diagnósticos participativos da agrobiodiversidade, ferramenta que identifica aspectos culturais, espécies existentes, variedades locais, práticas de manejo e prioridades definidas pelas próprias comunidades.
Entre os dias 12 e 15 de maio, cerca de 50 participantes entre agricultores, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, equipes técnicas e instituições públicas e estaduais da Bahia e Sergipe participaram de oficinas de aprendizagem sobre agrobiodiversidade e corredores agroecológicos nos municípios de Aracaju, Itabaianinha e Riachão do Dantas, em Sergipe. As formações foram conduzidas pela Embrapa em conjunto com as organizações sócias do projeto nos dois estados, promovendo o intercâmbio entre as equipes que implementam o projeto na Bahia e em Sergipe.
De forma coletiva, dois corredores agroecológicos foram implementados nos municípios de Itabaianinha e Riachão do Dantas pelo terceiro ano consecutivo, considerando as atividades de pré-implementação do projeto. Eles funcionarão como polos irradiadores para processos contínuos de observação e seleção de materiais genéticos, permitindo que agricultoras e agricultores identifiquem variedades mais adaptadas às realidades locais e avancem na recuperação de sementes que vêm se perdendo ao longo do tempo.
A programação também incluiu a visita à agroindústria comunitária de flocão de milho crioulo do Movimento Camponês Popular (MCP-SE), em Riachão do Dantas/SE, e à proposta da futura Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS) crioulas apoiada pelo projeto.
A agroindústria, em fase de finalização, integra produção, beneficiamento e agregação de valor ao milho crioulo, fortalecendo estratégias já existentes de comercialização por meio do Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE) e outros canais, como as feiras agroecológicas.
Já a futura UBS ampliará o aproveitamento da produção, incluindo o uso para ração animal, e deve fortalecer a articulação entre campo, alimentação e sociedade. Nessa estrutura, o projeto contribui com a aquisição de maquinário e a construção do galpão de beneficiamento.
A experiência evidencia o potencial de maquinarias adaptadas à agricultura familiar e reforça a valorização social, cultural e econômica das sementes crioulas. Do campo à mesa, demonstra como sistemas agroecológicos podem gerar renda, fortalecer territórios e ampliar o acesso a alimentos saudáveis.
As oficinas também contaram com a participação de instituições parceiras estaduais da Bahia e de Sergipe, fortalecendo a articulação do Raízes Agroecológicas com projetos apoiados pelo FIDA em parceria com governos estaduais, e ampliando o potencial de integração e impacto entre políticas e ações de desenvolvimento rural sustentável pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) do Estado da Bahia, e pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) do Estado do Sergipe.
Com mais de 40 anos de atuação no Brasil, o FIDA é um importante parceiro internacional no apoio à agricultura familiar, especialmente na região Nordeste. O Fundo já beneficiou mais de 1 milhão de pessoas no país e, até 2030, prevê alcançar cerca de 1 milhão de pessoas adicionais por meio de novas iniciativas voltadas ao fortalecimento dos territórios rurais.
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NOTAS A EDITORES
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Fonte: brasil.un.org